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Piauí terá brigadas contra a Covid-19 e rastreamento será feito de casa em casa

As prefeituras municipais devem ser parceiras no esforço das brigadas.

07/05/2020 12h20
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Por: Ronaldo Mota
Piauí terá brigadas contra a Covid-19 e rastreamento será feito de casa em casa

Com o avanço do coronavírus no Piauí, o governador do Wellington Dias anunciou que vai criar brigadas de busca ativa da doença nas áreas com maiores taxas de transmissão. Na prática, o rastreamento será feito de casa em casa para identificar e tratar novos casos e visa evitar subnotificações, a gravidade do quadro dos pacientes, evitando a superlotação de hospitais no período de crescimento da curva da doença.

“Ir de casa em casa com os equipamentos adequados, aferir pressão, medir temperatura, avaliar sintomas, ver quem precisa fazer teste e, a partir daí, orientar para cadastramento no programa Monitora Covid-19 para a permanente consulta médica. Com isso, salvar vidas com o atendimento necessário e a rede preparada”, explica o governador. 

A proposta prevê inicialmente a criação de 12 grupos (um para cada território de desenvolvimento) sob coordenação de médicos e apoio de enfermeiros, técnicos da Vigilância Sanitária e agentes de saúde. A equipe atuará integrada às equipes da atenção básica, realizando um mapeamento nos municípios, indicando quais bairros e comunidades rurais precisam de atenção especial.

“A brigada vem sistematizar e cientificar um trabalho de busca ativa, identificando os comunicantes daquelas pessoas positivas. Achamos que encontraremos muitos assintomáticos positivos. Vai nortear muito nosso trabalho, qualificar e permitir termos uma resposta mais rápida” considera o secretário de Estado da Saúde, Florentino Neto.

Boletim mais recente da Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) confirmou, mais cinco mortes de pacientes infectados pelo novo coronavírus - 35 no total. O anúncio dos óbitos ocorreu nessa quarta-feira (06),  dia no qual o estado ultrapassou a marca dos mil casos confirmados da Covid-19.

O prefeito de Teresina, Firmino Filho, destacou a importância da busca ativa como ferramenta de monitoramento dos casos. 

“É muito importante esse trabalho. Nas últimas semanas, evoluímos na testagem. Fomos os pioneiros nas pesquisas por amostragem e essa tem sido uma estratégia importante. Fazendo comparativos, entre as três pesquisas que já realizamos na capital, percebemos um crescimento de 60% no número de casos. Paralelo a isso, temos observado que o isolamento social tem caído enquanto o vírus está se espalhando. Essa busca ativa com rastreamento vai possibilitar um cenário mais preciso do quadro do vírus”, observa o gestor.

As prefeituras municipais devem ser parceiras no esforço das brigadas.

“Há muita gente com experiência que poderíamos chamar. Vamos articular com a Sesapi para fazer uma chamada pública e, quem sabe, oferecer uma bolsa para nos ajudarem a consolidar os resultados”, avaliou Jonas Moura, prefeito de Água Branca e presidente da Associação Piauiense de Municípios (APPM).

A vice-governadora Regina Sousa pediu atenção às comunidades de áreas periféricas, onde está a população de baixa renda. 

“A tendência a partir de agora é que a doença vá atingir mais as periferias das cidades, onde as condições são mais precárias e as pessoas têm menos defesas. Defendo não só a busca ativa mas refazer os caminhos das pessoas infectadas”, pontuou Sousa.

O governador Wellington Dias pediu agilidade nos trâmites burocráticos para que as brigadas possam iniciar as atividades o mais rápido possível. A reunião virtual contou ainda com a participação dos secretários da Saúde, Florentino Neto; de Governo, Osmar Júnior; do presidente do Comitê de Operações de Emergência (COE), José Noronha; e do coordenador de Comunicação do Estado, Allisson Bacelar.

O cientista Miguel Nicodellis, um dos 20 mais importantes do mundo e presidente do Comitê Científico do Consórcio Nordeste, já havia feito um apelo para que fosse assinado um decreto para criação das brigadas.